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voos de mulher

E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta. [Clarice Lispector]

pessoas que nos dão sentido à vida

20.07.21 | voosdemulher

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Pessoas 
Só pessoas 
Corpos vestidos de igual.
Gémeos de SER.
Se tivermos a oportunidade, o feliz acaso de conhecermos o seu interior, teremos um caminho aberto à descoberta.
Uno.
Lemos o livro, ouvimos a música, viajamos.
Feliz de quem possa ouvir música com as palavras de poeta, navegar por caminhos de conhecimento, sendo esse acervo, uma porta intrigante e de ponderado acesso.
 
Menos? Pessoa o diria….
Ou Freud explicaria.
 
(Pessoas que nos dão sentido à vida)
 

gosto destas noites inebriantes que quase me sufocam

18.07.21 | voosdemulher

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Como eu gosto destas noites inebriantes,que quase me sufocam, em que nem um aragem se atreve e só se ouve o sangue das artérias. Levito entre a Lua e o silêncio, escuto os batimentos do meu peito no  desassossego, retomando a calma.
Bebo uma tisana fria, perfumada, sentada no chão da varanda...dizem que de noite todos os gatos são pardos, embora eu não acredite, escuto o latir do cão sozinho, afugentando o vulto das sombras.
Sombras indecifráveis na noite clara, mansa e doce de verão.
Resisto ao impensável, ao inimaginável...talvez porque seja isso que sei fazer de melhor : resistir.
Olho-me e não consigo encontrar respostas para tanta pergunta. Olho o céu rasgado de palavras não escritas.
O meu lado forte em luta com o meu lado frágil.
 
 

numa clausura espiritual sem grades

15.07.21 | voosdemulher

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Parte integrante da minha identidade são as memórias que guardo. Olhas-me, sem compreender o que vês. Estranhamente solitária na multidão, numa clausura espiritual sem grades...

Jamais seria capaz de viver atrás das grades afastada do mundo, numa vida de oração. Oh Deus perdoa-me mas eu seria a pior das tuas monjas de qualquer convento. A minha clausura é vivida no meio de tanta gente, mas a minha identidade é algo de integro, entre o sagrado e o profano, são memórias que partilho aqui e ali... a vós leitores basta unir os fios (palavras) que vou deixando.

 

há verdades que não mudam

15.07.21 | voosdemulher

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"Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade e a hiperexcitação."

Livro do Desassossego

não tenho um alfabeto cínico

15.07.21 | voosdemulher

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Sou muito simples. Não tenho suficiente jogo de cintura para malabarismos circenses. Não sou de coleccionar grandes comentários a alardear cultura livresca e de vida fora da realidade dos dias. Vejo, leio e sinto ou não. Concordo ou discordo mais ou menos num silêncio de prata. Não tenho um alfabeto cínico.

Sei que muitos daqui (blogues) são cúmplices doces dali... não me incomoda o suficiente para os enviar para a terra do nevoeiro...

Ando por aqui quando tenho tempo e gosto de visitar amigos que me acrescentam pela qualidade do que escrevem ou pelo bom gosto das músicas e das escolhas fotográficas. O resto é paisagem, com picos e abismos.

Às vezes nem a memória é redentora nem as flores nos salvam.

 

em sonho

14.07.21 | voosdemulher

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Pintura : Di Cavalcantti 

Um raio,
luz matinal,
afago no rosto,
meia volta 
sobre a cama,
duas pernas 
mornas 
que se tocam,
olhares 
em despertar 
repousados,
umas quantas rugas 
em sorriso 
desdobradas,
umas mãos viajantes 
em carícia escondidas,
corpos húmidos 
da noite,
rio que teima 
em parar,
languidez de dia,
prometido,
abraço 
feito beijo molhado,
saboreado,
sem pressa,
sem urgência,
em sonho.
 

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