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voos de mulher

E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta. [Clarice Lispector]

escuto contigo a mesma melodia

20.08.21 | voosdemulher

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Aprendi a sentir no tempo , aquilo que o tempo me ensinou.
Sou eu assim. Quero que o tempo vá dar uma curva, ali na estrada perto dos sorrisos, e escuto contigo a mesma melodia.

Ou seja para te falar verdade , escuto Chopin, porque também é , sempre foi um dos meus segredos. Sempre gostei de o escutar. Tanto como gosto de passear, perto de mim, num sentido variável, de maior ou menor humor.

Esguio-me das ruas onde passam pessoas, que não me sabem ler… Sinto sempre a melodia dos teus braços , quando envolves, sem querer a minha pele, aquela que o tempo deixou assim… macia. Embrulho os meus dedos, dentro dos teus e nem sequer preciso de me vestir de mim… porque já o sou aqui…
Abraço o sorriso do meu nome , num gesto que entrego ao teu , sem sair de mim…
Num pedaço de mim.
Hoje.

Teresa 



nas mãos

16.08.21 | voosdemulher

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Nas mãos 
tantas palavras mudas 
faladas em aromas perfumados 
Em gestos sentidos e calados 
num desnudar da alma.
Delas emanam todas as fragrâncias 
das emoções...
na dança da vida...elas falam de ti 
e por ti como bailarinas sincronizadas...
Até a maldade...tem o tacto das mãos 
nelas a alma se faz deslizar 
no calor que as assoma,
e as torna... frágeis...
fortes...e divinas.
nas mãos...
o carácter 
em reflexo da alma. 

(por algum tempo este blogue ficará parado devido a um problema saúde)

não lhes agites os demónios que nelas dormem

15.08.21 | voosdemulher

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René Magritte, El arte de la conversación, 1949

Deixa as palavras onde estão.
Imóveis, desarmadas.
Não lhes agites os demónios que nelas dormem
ávidos de despertarem.
Não fales do que és, nem descrevas
coisa alguma. Preserva o que em ti
e nos outros é intocável.
Não deixes que as palavras desfigurem.
Que as palavras mutilem.
Que as palavras viciem.
Que as palavras mintam.
Que as palavras sejam peças
de um jogo em que o desfecho
É o xeque-mate.

Fernando Namora

 

Deus também bebe !

14.08.21 | voosdemulher

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Quando o corpo se esconde na esplanada da saudade,
Ela,  só, acredita que todos os pássaros são em papel colorido,
Imagens prateadas nas mãos de Deus; 
O mar.
Todas as rochas estão suspensas no poema,
A mão de Deus, moribunda, confunde-se com a alegria de viver,
A montanha.
Argamassa da planície, floresta inversa à paixão,
O sítio escondido, onde habita Deus, amanhã, hoje,
Sinto-me como uma pedra que voa, tem asas, tem alegria,
Vida, palavra, livros e nada...
A montanha de Deus.
Onde hoje me sento,
Agradeço a sombra, oiço ao longe a fúria do mar,
Desgravada maré dos tristes silêncios,
A aldeia de Deus.
O vinho.
Porque Deus também bebe,
Tem vida...